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Alergias: como reduzir os incômodos do tempo seco

Nariz entupido e escorrendo, espirros, tosse, olhos vermelhos e congestionados, garganta seca e irritada, dor de cabeça, dificuldade para respirar e sensação de cansaço. Quem costuma sofrer com alergias conhece bem esses sintomas. E não é pouca gente. “Estima-se que no Brasil haja cerca de 40 milhões de pessoas com esse tipo de problema, quase 20% da população”, conta Jamal Azzam, otorrinolaringologista de São Paulo. “Nos grandes centros, o número chega a 40%.”

Entre o outono e o inverno, o suplício fica maior. Primeiro porque o frio irrita o sistema respiratório. Há ainda a baixa umidade do ar (que pode chegar a 10% nesses meses, quando o ideal é entre 60 e 80%), que dificulta a dispersão de poluentes, poeira e pelos de animais domésticos e colabora para ressecar a pele e as mucosas. “No caso da poluição, além de irritar a mucosa respiratória (provocando problemas como rinite), pode atingir a gastrointestinal (e desencadear alergias alimentares) e a do trato genital e urinário (o que pode causar cistites de repetição)”, conta Luiz Vicente Rizzo, imunologista e diretor de pesquisa do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

A secura do ar também aumenta os riscos de contrair viroses e infecções bacterianas, pois, sem umidade, os micro-organismos aderem com mais facilidade em regiões ressecadas e o organismo não consegue limpar as vias aéreas como deveria. Por último, as aglomerações em ambientes fechados para amenizar o frio pioram a situação, pois favorecem a troca mais intensa de micróbios.

Existem indícios de que as próximas temporadas de alergias podem ser ainda piores. “Muitos pacientes que antes apresentavam crises esporádicas e sintomas leves estão enfrentando quadros mais intensos”, diz Clifford W. Bassett, diretor médico da clínica especializada Allergy & Asma Care, em Nova York, nos Estados Unidos. Os números confirmam essa informação. Um estudo americano revelou que 60% dos entrevistados afirmaram ter tido uma piora nos sintomas recentemente. E tudo indica que as principais culpadas são as alterações climáticas, que estão deixando o planeta mais quente e seco. “Mesmo quem não sofre com esse tipo de problema precisa ficar atento, pois pode começar a manifestá-lo a qualquer momento e em qualquer idade”, afirma Kevin McGrath, porta-voz nacional do Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia. Mas não precisa comprar remédios ainda. Aposte neste plano de três passos contra as alergias e respire aliviado.

1. Ajude seu corpo a ajudar você

O sistema imunológico enfraquecido é um prato cheio para os invasores. Faça-o trabalhar a todo vapor.

O uso exagerado de antibióticos e nossa moderna mania de limpeza contribuem para deixar as defesas do organismo preguiçosas porque as privam de combater germes. “Com isso, o corpo passa a reagir a substâncias que antes eram inócuas”, fala Estelle Levetin, professora de ciência biológica da University of Tulsa, em Oklahoma, Estados Unidos. Para reverter a situação, é preciso agir em um lugar surpreendente: a sua barriga. Pesquisas revelam que um microbioma intestinal (o ecossistema de bactérias boas e ruins) saudável é a chave um sistema imune potente. Alguns fatores capazes de desequilibrá-lo estão fora do seu controle (predisposição genética e remédios), mas outros, como hábitos do dia a dia e alimentação, também contam. Açúcar, álcool e stress podem diminuir as bactérias benéficas no intestino. Aposte nos iogurtes e leites fermentados com probióticos, bactérias do bem que produzem substâncias com ação antiviral, que aumentam a imunidade e melhoram a absorção de nutrientes.

2. Invista na prevenção

Alguns cuidados simples ajudam a amenizar o desconforto.

Beber bastante água é o primeiro passo para combater a secura – do corpo e do ambiente. Hidratar as narinas com soro fisiológico e pingar colírios são outras medidas úteis, mas o certo é consultar um oftalmologista para indicar a melhor opção para você. Utilizar um umidificador de ar ou espalhar toalhas molhadas e bacias com água pela casa também ajuda. E evitar a prática de exercícios ao ar livre entre as 10 e 16 horas evita crises. “Quando se trata de poluição, os piores horários são os de rush (entre 6 e 8 da manhã e 16 e 19 horas). No entanto, para o alérgico isso não importa muito, pois os fatores alergênicos estão no ar o tempo todo”, afirma Lelia Josuá, médica especializada em alergologia e pneumologia, do Rio de Janeiro.

3. Se não tiver jeito, apele para os medicamentos.

Antes de correr para a farmácia, o melhor é consultar um médico, que deve prescrever um dos seguintes.

Spray de esteroide nasal.

Reduz a inflamação causadora da congestão. Evite comprar os descongestionantes não esteroidais, vendidos sem prescrição, mas que podem piorar o quadro alérgico.

Anti-histamínicos.

Vendidos na forma de comprimidos, aliviam o nariz inchado e escorrendo e os olhos coçando.

Montelucaste de sódio.

Costumam entrar em cena se a pessoa estiver espirrando muito ou com o nariz pingando, já que conseguem diminuir o circuito da inflamação mais rápido do que os sprays nasais.

Imunoterapia.

As doses ministradas na forma injetável podem ajudar a reprogramar o sistema imune e aumentar a tolerância do organismo a fatores desencadeadores de crises.

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