Aumentam casos de síndrome do pânico entre crianças

Especialistas acreditam que pressão social é o principal motivo.
Médicos alertam para o reconhecimento dos sintomas e o tratamento precoce.

Ansiedade, medo, pavor de sair de casa. Estes são alguns dos sintomas da síndrome do pânico. A síndrome é uma herança que pode mesmo até passar de pai para filho.

O transtorno que muita gente conhece como síndrome do pânico também tem gatilhos que disparam a doença: um mundo competitivo e o medo da violência nas ruas. Tudo isso chega até a escola, onde o comportamento ansioso tem chamado a atenção.

“É o nervosismo, a maneira como encara os desafios dentro da escola, as avaliações, os compromissos. Realmente hoje você sente no aluno uma preocupação muito grande com o futuro”, comenta Carlos Eduardo Barreira Lambert, coordenador do ensino fundamental do colégio Poliedro.

“É possível que essas mudanças sociais estejam levando a um aumento da incidência desta síndrome”, avalia Marcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade – FMUSP.

Segundo especialistas, cerca de 20% das crianças sofrem de ansiedade. São meninos e meninas preocupados, perfeccionistas, cheios de medo, que precisam aprender a relaxar para viver melhor.

Destes, 7% têm sintomas ainda mais severos que caracterizam as crises ou o transtorno do pânico, um mal que precisa de diagnósticos e tratamento.

“Uma crise de pânico é uma ansiedade de início súbito, intensa, em que 4 de 13 sintomas característicos, como taquicardia, sudorese, falta de ar, tremores e outros, aparecem em menos de 10 minutos”, explica Bernik.

“O tratamento precoce do transtorno do pânico e de todos os transtornos de ansiedade são muito importantes para evitar sequelas”, completa Bernik.

Depressão, hipocondria – a mania de doença e de tomar remédios, agorafobia – medo exagerado de enfrentar lugares e pessoas, são algumas das sequelas do pânico que não foi tratado.

A psiquiatra Sonia Maria Motta Palma diz que crianças e adolescentes precisam aprender a reconhecer e lidar com os sintomas. “Nesse momento é melhor tentar recuperar a respiração, respirar mais calmamente, se distrair com alguma coisa. A família deve apoiar, não piorar ainda mais com o desespero familiar ou às vezes do professor”, orienta.

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Conhecida por “mal do século 21″, a depressão também pode ser observada em crianças. O estado anormal de comportamento e a perda do interesse em atividades cotidianas podem ser sentidos ainda na fase infantil. Porém, os sintomas podem ser diferentes da depressão apresentada por adultos, fato que dificulta o reconhecimento do distúrbio nessa fase.

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam o transtorno como principal causa na incapacidade de conclusão de tarefas rotineiras entre crianças e jovens de 10 a 19 anos.

“A criança que sofre de depressão pode se apresentar mais irritada, mais agitada, inquieta ou irrequieta do habitual. Ela também pode se desinteressar pelas atividades da escola ou de lazer, parecer cansada o tempo todo e, algumas vezes, apresentar perda de sono e alterações de apetite. Estes são sintomas comuns em crianças deprimidas e bastante diferentes dos apresentados pelos adultos”, explica a Anne Maia, psiquiatra e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Segundo ela, nem sempre o quadro de depressão infantil tem relação com algum episódio estressor, mas pode acontecer sem que haja algo pontual.

Para o diagnóstico é fundamental que os pais, professores e parentes mais próximos a criança observem qualquer comportamento incomum, além do desinteresse por atividades de lazer e a falta de reação frente a uma situação em que é contrariada. Assim como outros distúrbios nessa fase, é importante que haja uma detecção precoce para evitar possíveis complicações.

“As abordagens terapêuticas para a criança deprimida devem ser as mais amplas possíveis. Com o avanço nas formulações dos antidepressivos (com menos efeitos colaterais e mais seguros), hoje o tratamento da depressão infantil já é realizado com psicoterapia e psicofarmacoterapia. Conjugadas, essas medidas comprovadamente auxiliam na melhora dos sintomas e do desempenho escolar”, afirma a psiquiatra.

Além do tratamento medicamentoso, a médica acrescenta que o suporte familiar é indispensável na recuperação da criança. Segundo ela, esse apoio e orientação também são medidas de prevenção para eventuais recaídas ou continuidade do problema na fase adulta.

Fonte: Vert Social

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