Baleia de 17 milhões de anos revela segredo dos primórdios da Humanidade

Fóssil de baleia encontrado na África Oriental, em uma altitude de mais de 600 metros.

O Planalto Leste Africano está pelo menos 1.000 metros acima do nível do mar, mas há milhões de anos, a área estava debaixo d’água. De acordo com pesquisadores que examinaram um fóssil de baleia pré-histórica descoberto nessas altitudes, o Planalto Leste Africano começou a elevar-se acima do nível do mar de cerca de 17 milhões de anos – mais ou menos na época em que mudanças climáticas e condições mais secas começaram a adiantar a evolução de primatas (incluindo o ser humano). Estes resultados foram publicados na Proceedings of the National Academy of Sciences esta semana.

 

Em 1964, um crânio fossilizado de uma baleia das profundezas foi descoberto a 740 km da costa do Oceano Índico e a uma altitude de 620 metros em West Turkana, no Quênia. Estes dias, a área é um deserto muito rígido. O fóssil de 17 milhões de anos pertencia à mais antiga baleia bicuda conhecida (família Ziphiidae), e a única baleia encalhada encontrada até agora no interior do continente Africano. Mas foi anos mais tarde, em 2011, que estudos mais avançados foram feitos na Universidade de Harvard.

Uma equipe internacional liderada por Henry Wichura, da Universidade de Potsdam, examinou novamente a baleia recém redescoberta usando notas de décadas passadas e análises filogenéticas, bem como tomografia 3D computadorizada. A baleia de 7 metros de comprimento provavelmente nadava em direção ao leste do Oceano Índico ao longo de um sistema de drenagem antigo chamado Anza, e provavelmente não podia mudar o seu curso. Em última análise, encalhou em uma elevação ligeiramente acima do nível do mar, provavelmente em torno de 24-37 metros.

“A baleia estava encalhada em um momento em que a África Oriental estava ao nível do mar e era coberta por florestas”, o coautor do estudo Louis Jacobs, da Universidade Metodista do Sul, disse em um comunicado à imprensa. A África Oriental 17 milhões anos atrás tinha uma elevação baixa, alta pluviosidade e umidade, e vegetação densa, até que a atividade no manto da Terra empurrou a área (em conjunto com os fósseis da baleia) para várias centenas de metros de altura.

E o que isso tem a ver com os humanos? Essa elevação resultou em habitats cada vez mais áridos e abertos. “À medida que parte do continente se levantou, fez com que o clima local ficasse mais seco. Assim, ao longo de milhões de anos, a floresta deu lugar a pastagens,” Jacobs acrescenta. “Primatas evoluíram para se adaptar às pastagens e ao clima seco. E isso é quando os primatas humanos começaram a andar eretos.”

 

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