Cólica prolongada e + 4 sintomas de dismenorreia secundária: o que é o problema?

Muitas mulheres convivem mensalmente com as cólicas menstruais, um prenúncio da chegada do sangramento da menstruação. Chamadas de dismenorreia pelos especialistas, elas podem ser apenas um reflexo do trabalho uterino para expulsar o endométrio, mas há casos em que elas escondem problemas mais sérios do sistema reprodutivo feminino. Nessas situações, a cólica recebe o nome de dismenorreia secundária.

Dismenorreia primária e secundária: o que são?

Dismenorreia nada mais é que o nome técnico dado às cólicas menstruais. Ela pode ser de dois tipos, primária ou secundária, e entender bem qual variedade você está sentindo é fundamental para cuidar bem da saúde.

Dismenorreia primária

A ginecologista e obstetra Patricia de Rossi, do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, em São Paulo, explica que a dismenorreia primária, que responde por 80% dos casos, não esconde problemas no útero ou nos ovários.

Nesse caso, trata-se de uma dor que afeta metade das mulheres em idade reprodutiva e é causada pelas contrações uterinas normais, que ocorrem para expulsar o endométrio – camada interna do útero – durante a menstruação.

“Além da dor na parte inferior do abdome, que pode se irradiar para as costas e pernas, é comum ter outros sintomas, como náuseas, vômitos, diarreia, mal-estar e fadiga”, explica a especialista.

Dismenorreia secundária

A dor da dismenorreia secundária pode esconder alterações nos órgãos pélvicos, como miomas e endometriose e, por isso, é um pouco diferente da cólica comum.

No entanto, o anestesiologista Irimar de Paula Posso, presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), alerta que que a dor é individual, e pode variar de acordo com a sensibilidade da paciente e de outras doenças concomitantes, como obesidade e distúrbios emocionais. Fatores como duração do fluxo menstrual, tabagismo, consumo exagerado de álcool, história de abuso sexual e estresse também podem influenciar.

Como identificar a dismenorreia secundária

A dor da dismenorreia primária costuma se iniciar junto do fluxo menstrual e dura, geralmente, entre dois e três dias. “Esse tipo costuma aparecer após as primeiras menstruações, podendo diminuir ou não de intensidade ao longo dos anos ou depois da primeira gravidez”, explica Patrícia.

Já a dismenorreia secundária pode ser identificada por 5 fatores específicos:

  1. Ela costuma começar duas semanas antes da menstruação;
  2. É mais intensa;
  3. Tende a piorar com o passar do tempo;
  4. Pode ser acompanhada de outros sintomas ginecológicos, como aumento da duração das menstruações;
  5. Pode causar também o aumento do volume das menstruações.

Tratamento

Na dismenorreia primária, a principal estratégia é bloquear o mecanismo da dor. Algumas das fórmulas mais indicadas, de acordo com a especialista, são os anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) à base de ibuprofeno. Terapias alternativas, como a acupuntura, por exemplo, também podem ajudar.

Se houver desejo de evitar a gravidez, o médico pode cogitar a possibilidade de indicar a pílula anticoncepcional, que pode também aliviar as dores e diminuir o fluxo menstrual. A ginecologista Patrícia explica que o tratamento deve sempre ser orientado por um médico, para que o medicamento seja usado na dose adequada, evitando falha por uso incorreto e reduzindo a ocorrência de efeitos colaterais, como transtornos gastrointestinais.

Nos casos de dismenorreia secundária, além do uso de medicações para aliviar a dor, é imprescindível agendar uma consulta médica para avaliar se existe de fato alguma alteração por trás da cólica.

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