Conheça a cadeia brasileira que não possui nem policiais e nem armas. E nunca teve uma rebelião!

Com a crise carcerária explodindo nessa virada de ano, chega o tempo de se questionar se o sistema de encarceramento brasileiro realmente está melhorando a situação. O debate acalorado parte do princípio: “violência se trata com mais violência?”

Na prática, dados apontam que existe 82% de reincidência nos crimes de ex-presidiários! Fica fácil assegurar que o sistema não está funcionando. Outros dados gritantes, como o dessa reportagem, mostram que de 1990 a 2014 houve um aumento de 575% no número de pessoas em situação carcerária no Brasil. Em 1990, existiam 90 mil presos, em 2014, esse número saltou para 600 mil pessoas. Se esse ritmo for mantido, em 2075, a cada 10 pessoas, uma estará atrás das grades.

Olhando para esse panorama, surgem algumas soluções que propõem um novo olhar para a política carcerária. Como é o caso da APAC (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado), que através de um sistema humanizado, visa novas práticas para lidar com os presos, que não utiliza algemas, policiais e nem mesmo a denominação “detento”. São 43 unidades espalhadas pelo país, além de outras pelo mundo.

Na unidade localizada em Itaúna, Minas Gerais, o condenado é acima de tudo uma pessoa. Logo na entrada o lema do local fica evidente “Aqui entra o homem. O delito fica lá fora”.

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Cuidando e tratando de mais de 2 mil pessoas, os recuperandos ou reeducandos, como são chamados, não usam uniformes e não são representados por números. Ali, muitos deles trabalham no próprio local, frequentam cursos supletivos e profissionalizantes, cuidam da segurança, limpeza, alimentação e outras atividades, mantendo sempre a mente e o corpo ativos.

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O método, que já foi finalista do Prêmio Innovare da Justiça Brasileira, foi desenvolvido em 1973 pelo advogado Mario Ottoboni e segue 12 princípios básicos, sendo um deles, a evangelização, considerando que se trata de uma organização cristã.

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É feito todo um trabalho para que essas pessoas possam seguir em frente, com assistência espiritual, médica, psicológica e jurídica. Além de palestras motivacionais que integram membros das famílias. Quem não tem família recebe até a oportunidade de “ganhar” um padrinho, uma pessoa interessada da comunidade.

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Sim, na teoria tudo pode ser maravilhoso, mas como são os resultados dos membros da APAC? Atualmente os números mostram apenas 10% de reincidência no crime, um dado completamente incomparável com os 82% de reincidência das cadeias tradicionais.

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Um ex-presidiário atribui a culpa dessa crise no Estado, “Primeiro acho que deveriam separar os presos de acordo com o grau do crime cometido, porque um homem que roubou um pacote de bolacha não pode ficar junto de quem cometeu um assassinato, por exemplo. Segundo é que a Justiça não acelera seus processos para liberar logo quem nem deveria estar na cadeia. Terceiro é que se não há ocupação, trabalho mesmo, para quem está atrás das grades, a chance de fazerem loucuras lá dentro é imensa. É preciso ocupar essas pessoas para que elas consigam retomar suas vidas dentro e fora da cadeia”.

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Conforme o início desse texto, o sistema carcerário está em crise, a forma com que os presos são mantidos e cuidados, não contribui em nada para o seu restabelecimento. Muitos presos vivem em cadeias precárias sem nem ter tido um julgamento, muitos inocentes são mortos em rebelião. É hora de repensar esses moldes, propor novas maneiras de recolocar o criminosos. Oferecer ferramentas para que haja a recuperação é o único caminho para a retomada de controle.

Este é um site de noticias,curiosidades e tratamentos,ele não substitui um especialista.Consulte sempre seu médico.

 

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