Da violência até a desigualdade de salários, Eliana faz discurso poderoso pelas mulheres

Na televisão desde 1991, Eliana virou inspiração para muitas mulheres depois que passou a apresentar programas adultos aos domingos, no horário mais nobre da TV brasileira, há 11 anos. Sua última participação no quadro “Youtubers Querem Saber”, do Programa do Raul Gil, no SBT, trouxe assuntos extremamente relevantes e importantes para serem discutidos.

Durante respostas para os convidados, a apresentadora teve a coragem de tocar em temas delicados. Eliana falou do machismo que a mulher ainda tem, sim, que enfrentar, inclusive na televisão, da desigualdade salarial, do cerceamento das escolhas sexuais e de estupro e violência doméstica e a comum culpabilização da vítima.

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A seguir, veja quais foram os pontos levantados pela apresentadora e por que eles são tão importantes de serem repensados – e combatidos.

Machismo do ambiente de trabalho

Eliana é a única apresentadora que possui um programa de auditório aos domingos. Nas outras emissoras abertas, a programação fica sempre sob o comando de um homem. A situação é apenas um exemplo do que acontece em outras grandes empresas, em que cargos importantes e de confiança, ficam com funcionários do sexo masculino.

Além das pequenas chances de ocupar grandes cargos, outro problema evidenciado pela apresentadora e que, de fato, marca o mercado de trabalho, é a desigualdade salarial. “Seja com TV, no esporte ou em escritórios, em qualquer lugar, se exerce a mesma função, a mulher ganha sempre menos que o homem”, afirmou.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, no ritmo atual, ainda vai levar pelo menos 70 anos para que homens e mulheres tenham chances iguais no mercado de trabalho. Atualmente, ganhamos 23% menos, trabalhamos mais horas – já que as tarefas domésticas são designadas a nós – e apenas 5% são chefes.

Individualidade e liberdade sexual

Um homem pode optar por jantar sozinho em um restaurante sem que as pessoas em sua volta fiquem fazendo questionamentos sobre sua moral e capacidade de se relacionar. Já se a mesma situação é vivida por uma mulher, espera-se questionamentos sobre o seu status de relacionamento e as intenções de estar naquela situação sozinha.

Esse foi o exemplo usado pela apresentadora para mostrar como a sociedade ainda encara as mulheres que optam por viverem sozinhas, sem um marido, de forma constrangedora.

O controle sobre a vida conjugal ainda resvala sobre a conduta sexual e até a escolhas das roupas. “A mulher não tem direito de estar [de saia curta] porque tá calor, é moda, ou porque quer, é porque está querendo algo e se acontecer alguma coisa, você provocou”, ironizou a apresentadora.

Segundo pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), 30% dos entrevistados acreditam que a vítima tem culpa quando é estuprada. Eles concordaram com a frase “A mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”.

Culpabilização da vítima e feminicídio

De acordo com o levantamento do Mapa da Violência de 2015, realizado com o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil passou da sétima posição, em 2010, para a quinta, em 2013, ano em que foram registradas 4.762 mortes de mulheres por motivações de gênero – ou 13 homicídios por dia. Os crimes têm como precedente, na maioria dos casos, a violência doméstica.

Eliana também abordou a questão. “Tem a famosa pergunta ‘Mas o que ela fez?’. Se uma mulher for agredida, qual é a primeira pergunta? ‘O que você fez?’. Não é o que ela faz, ninguém pode te bater, ninguém tem o direito de bater em você”, reforçou.

“Infelizmente, as mulheres sabem disso, o mundo é muito machista. O único direito que tivemos é o de votar, sinceramente. O resto ainda está engatinhando. Vocês que são jovens, tentem desbravar”, comentou.

Criação dos futuros homens

Além do incentivo à ação das mulheres mais jovens, que ainda estão chegando ao mercado de trabalho e têm muito a desbravar, não só nele mas em todos os âmbitos sociais, Eliana aposta que a diminuição do problema está também na criação dos futuros homens. “Nós, que temos filhos homens, temos que educar esses meninos para que eles respeitem as mulheres que estão por vir, temos o dever enquanto mãe de mudar o olhar masculino para as mulheres que estão chegando”, finalizou.

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