Fersoza e Teló guardam sangue de cordão umbilical do bebê: para que serve? Vale a pena?

Thaís Fersoza e Michel Teló decidiram armazenar o sangue do cordão umbilical de Melinda, a primeira filha do casal, em um banco particular. De acordo a atriz, eles optaram pelo armazenamento para que a menina tenha suas células-tronco sempre à disposição.

Como a coleta do sangue obrigatoriamente deve ser feita logo após o nascimento do bebê, os interessados em fazer a coleta devem entrar em contato antes do parto com um banco de armazenamento de sangue de cordão umbilical e placentário.

Sangue do cordão umbilical: para que serve?

De acordo com o Ministério da Saúde, o transplante de células–tronco pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias. Entre elas, leuceminas, síndromes e diversos tipos de anemia. Ou seja, os pais optam pelo procedimento para que a criança tenha à disposição, no futuro, uma opção de tratamento para alguns acometimentos.

Vale a pena armazenar?

Porém, por enquanto, a maior parte destas doenças só pode ser tratada com células provenientes de doadores: as células do próprio paciente só servem em poucos casos, já que, dependendo da doença, o sangue coletado do cordão umbilical pode já conter a informação genética modificada e, portanto, não é eficaz no combate.

Contudo, estudos vêm sendo feitos na tentativa de descobrir outras utilizações para as células-tronco.

“Vários estudos estão sendo feitos e muitos já estão quase concluídos. Daqui a um tempo com certeza existirão mais possibilidades de utilização”, comenta a gerente de produto da Cryopraxis, banco privado de sangue de cordão umbilical, Janaina Machado.

Como é feita a coleta?

Quando o bebê estiver prestes a nascer, o banco de células tronco escolhido é comunicado pela família para ir realizar a coleta do sangue do cordão umbilical. Logo após o corte do cordão umbilical, a enfermeira faz uma pulsão em um vaso do cordão umbilical que está preso à placenta enquanto ela ainda está grudada ao útero e, em seguida, faz a coleta de sangue.

Depois disso, espera a placenta ser retirada da mãe e realiza uma nova coleta com o órgão já fora do corpo da mulher, para garantir que uma grande quantidade de células-tronco foi coletada.

Feito isso, o material recolhido é acondicionado e transportado para o laboratório responsável por processar o sangue. No processamento, as células brancas são separadas do restante do sangue e só elas são armazenadas, já que são nelas em que as células-tronco estão.

O passo seguinte é congelar as células-tronco em tanques em que a temperatura chega a 200 graus negativos. “Não tem tempo definido para o armazenamento destas células, mas sabemos que podem ficar por muitas décadas”, explica Janaína.

Uso das células-tronco

Caso o paciente precise usar suas células, o médico que acompanha seu tratamento faz a solicitação diretamente no banco. “O que costuma acontecer é o hematologista do banco ligar para o médico para pedir documentos e informações para poder fazer a liberação do material, mas é pouco burocrático. Só é necessário fazermos antes testes exigidos pela vigilância sanitária para certificar que a célula é realmente daquele paciente e verificar a viabilidade celular do material”, comenta a gerente sobre o processo de liberação, que costuma demorar de 15 a 20 dias.

As células também podem ser retiradas do banco para a utilização de um parente da pessoa que realizou o congelamento: é a chamada utilização aparentada. “Nestes casos, a pessoa que tem as células congeladas e a pessoa que pretende recebê-las precisa fazer um teste de compatibilidade. Sendo compatível, o banco pede uma autorização da Anvisa para fazer a liberação”, afirma a gerente de produto.

Sangue do cordão umbilical: preço da coleta

Nos bancos particulares, a coleta, processamento e armazenamento das células-tronco custam em torno de R$ 3.600. Para manter o material no banco, paga-se, em média, R$ 650 anualmente.

Bancos públicos de cordão umbilical

Além dos bancos particulares, existem também bancos públicos espalhados pelo país: são os chamados Bancos de Sangue de Cordão Umbilical. As doações para estes bancos são sempre voluntárias e confidenciais e não é permitida nenhuma troca de informação entre doador e receptor.

De acordo com cartilha da Anvisa sobre Bancos Públicos e Privados, os bancos públicos disponibilizam as doações imediatamente para quaisquer pacientes brasileiros que precisem de transplante de medula óssea e não tenham um doador familiar. Ou seja, quando a pessoa opta por um banco público, está fazendo uma doação, não armazenamento, e por isso não podem recorrer às próprias células doadas no futuro.

“O principal motivo é ajudar alguém que vai precisar de um transplante. É uma total doação mesmo”, comenta Angela Luzo, diretora médica do banco de sangue de cordão umbilical da Unicamp, em vídeo do Ministério da Saúde.

Para doar, é necessário que a gestante tenha entre 18 e 36 anos, tenha feito pelo menos duas consultas pré-natal, não tenha histórico de câncer ou doenças hematológicas e que o bebê nasça com pelo menos 35 semanas. A doação precisa ser feita em hospitais conveniados.

Assista ao vídeo do Ministério da Saúde:

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