Homem mais velho do mundo teria 146 anos e um grande desejo: “Eu só quero morrer”

Ele já era idoso quando a II Guerra Mundial começou, mas a maior dor da sua vida foi a morte das 4 esposas, 10 irmãos e todos os filhos

Os documentos de identidade informam que ele se chama Saparman Sodimejo e que a sua data de nascimento é 31 de dezembro de 1870, na Indonésia. Se os registros estiverem corretos – e as autoridades locais acreditam que estão –, Sodimejo, que ainda vive, acaba de completar incríveis 146 anos de idade e, por vasta margem, é a pessoa mais velha sobre a face do planeta. Mais ainda: ele seria a pessoa mais idosa de toda a história sobre a qual haveria registros documentados.

Também chamado pelos amigos e vizinhos de Mbah Gotho, Sodimejo não é reconhecido oficialmente pelo Livro dos Recordes, porém, como o homem mais idoso do mundo: é que não há possibilidades confiáveis de confirmar a data de sua vinda ao mundo porque a Indonésia só começou a registrar oficialmente as certidões de nascimento em 1900. Para o Guinness Book, o atual homem mais velho do mundo é Israel Kristal, nascido em 1903, sobrevivente de Auschwitz e hoje com 112 anos de idade.

Registros e recordes à parte, o que mais chama a atenção na história de Mbah Gotho é uma declaração do idoso registrada pela agência de notícias Efe em agosto de 2016, quando a sua existência foi divulgada ao mundo:

“Eu só quero morrer”!

É evidente que o peso dos muitos e sofridos anos (sejam eles quantos forem) infligiu ao corpo de Sodimejo muitas limitações. Ele mal consegue se mexer e seu único passatempo é ouvir rádio, já que a visão deteriorada não lhe permite sequer assistir à TV.

TESTEMUNHA DE UM SÉCULO E MEIO DE HISTÓRIA

Se tiver mesmo nascido em 1870, Sodimejo é de um tempo em que a sua terra natal ainda pertencia às Índias Orientais Holandesas; o Brasil ainda estava em sua época imperial e mantinha vigente o horror abominável da escravidão; a Alemanha ainda não era um Estado-nação e a Itália acabava de nascer como país unificado.

Sodimejo viveu o início da Primeira Guerra Mundial quando tinha 44 anos de idade e o início da Segunda quando tinha 69. Viu a independência do seu país, em 1945, quando já tinha 75 anos; atravessou os longos regimes de Sukarno (1945-65) e Suharto (1967-98) e os viu ceder espaço ao acidentado processo de democratização da Indonésia, ainda em andamento.

No entanto, os fatos mais dolorosos da sua ímpar trajetória foram a morte das 4 esposas, dos 10 irmãos e de todos os seus filhos.

A “NOSTALGIA DA ETERNIDADE” versus O DEVANEIO DE NUNCA MORRER

É natural que, depois de uma vida tão longa e sofrida, ele anseie pela hora de deixar este mundo: a sua frase impactante, “Eu só quero morrer”, soa quase como uma súplica, um pedido de misericórdia, um desejo de paz e descanso que não é possível satisfazer nesta vida sobre a terra, moldada para ser finita. Aliás, é um anseio que, de alguma forma, lembra a angústia descrita no Apocalipse, 9,6: “Naqueles dias, os homens buscarão a morte e não a acharão; desejarão morrer, e a morte fugirá deles”. Morrer nesta vida, afinal, é nascer para a vida eterna, um almejo essencial da alma humana.

E é chamativo que, mesmo diante dessa demonstração explícita de “nostalgia da eternidade” por parte de Sodimejo, o nosso mundo superficial tenda muito mais a se deixar impressionar pelo devaneio de “nunca morrer”. Uma das perguntas que mais fazem a Sodimejo, de fato, é um ineludível clichê: “Qual é o segredo da longevidade?” – como se a quantidade de décadas trouxesse em si mesma alguma garantia de felicidade. A essa visão limitada do sentido da vida, o idoso indonésio responde com singeleza: “É a paciência“.

E é com paciência, aliás, que ele aguarda há décadas a chegada da morte. Seu túmulo está pronto desde 1992, quando ele tinha, supostamente, 122 anos. E Sodimejo continua no aguardo até hoje, 24 anos depois.

QUAL É, AFINAL, O LIMITE DA LONGEVIDADE?

As considerações existenciais que essa história desperta são e serão relevantes ainda que Sodimejo não tenha 146 anos. E é altamente provável que ele não tenha mesmo.

Além da clara possibilidade de erro nos documentos pessoais do idoso, também o atual estágio das ciências médicas tende a duvidar de que ele realmente tenha atingido uma idade tão avançada.

Há poucos meses, em outubro de 2016, repercutiu em todo o mundo um estudo publicado pela revista Nature no qual se afirma que, mesmo no futuro, com todo o avanço da medicina, a média de vida do ser humano dificilmente passará dos 115 anos. Os pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine, de Nova Iorque, analisaram décadas de dados sobre longevidade humana e concluíram que raríssimas pessoas conseguem viver mais que 125 anos. Eles afirmam que a expectativa de vida aumentou muito nas últimas décadas, mas está “desacelerando” entre as pessoas centenárias. O estudo teve recepção diversa: alguns cientistas o elogiaram, mas outros o tacharam de “uma grande farsa”.

A professora Linda Partridge, por exemplo, que dirige o Instituto de Envelhecimento Saudável do University College, em Londres, declarou à BBC que, “por lógica”, deve mesmo existir um limite para a duração da vida, mas observou que os cenários avaliados na pesquisa sobre os seus limites não descrevem, necessariamente, os cenários possíveis no futuro. Ela considera que, assim como houve grandes vitórias sobre a desnutrição e as carências de higiene básica ao longo das décadas passadas em muitos países, aumentando por consequência a duração média da vida, também pode haver, no futuro próximo, grandes vitórias sobre outros desafios à saúde, como, por exemplo, a obesidade infantil, um fato que, na geração atual, pode reduzir em grau relevante a expectativa de vida.

FATOS NOTÁVEIS EM MEIO ÀS ESPECULAÇÕES

Em um panorama de muito mais perguntas e suposições do que respostas e certezas, alguns fatos concretos chamam à reflexão:

Qualquer que seja a idade verdadeira de Sodimejo, ele é, visivelmente, bastante idoso e, no entanto, manifesta um desejo que destoa dos devaneios de um mundo medroso de morrer: Sodimejo anseia com ardor por, finalmente, partir deste mundo que passa.
Ao mesmo tempo, com paciência e serenidade, ele deixa esse momento nas mãos de Deus, o que também contraria a incapacidade do nosso mundo de lidar equilibradamente com os tempos da existência: basta observar a quantidade de iniciativas voltadas a “normalizar” o suicídio assistido, a eutanásia e até formas de assassinato como o aborto – que, no fim, é outro sintoma de imaturidade para lidar com os tempos da vida e da natureza.
O anseio pela morte não é, necessariamente, macabro e sombrio: pode ser iluminador e libertador quando, em vez de vir acompanhado de rejeição por esta vida, ele se manifesta no próprio fato de se viver sabendo que a vida neste mundo não foi “desenhada” para durar infinitamente. Trata-se de entender, em suma, que “a vida ilumina a morte e a morte ilumina a vida“.

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