Luciana Gimenez ataca empregados na cozinha: ‘’Bagunça na senzala’’

A apresentadora Luciana Gimenez é um dos grandes nomes da televisão brasileira. Ela é contratada da RedeTV!, onde apresenta programas como o ‘Superpop’ e o ‘Luciana By Night’. No entanto, nesta segunda-feira (22), a comunicadora acabou virando notícia em todo o país por um motivo ruim. A famosa está sendo acusada de racismo. Tudo porque, ao se referir a empregados na cozinha, Luciana disse que eles estavam fazendo uma ‘bagunça na senzala’. A fala fez com que a mulher do dono da RedeTV!, Marcelo de Carvalho, recebesse graves críticas nas redes sociais. Um dos principais grupos que criticou Luciana foi o ‘Coletivo Sistema Negro’, que tenta diminuir o racismo que existe no país.

Vídeo mostra Luciana Gimenez em fala racista

A comunicadora cometeu a polêmica fala quando estava se confraternizando com a família, no dia do aniversário de seu filho, Lucas. O garoto, que é herdeiro de Jagger, completou seus 18 anos. Luciana, com a moda de publicar tudo o que acontece na internet, divulgou as imagens em seu Instagram. A fala preconceituosa, rapidamente, teve repercussão negativa e a comunicadora da emissora de Sônia Abrão decidiu apagar o vídeo que mostra ela falando a frase racista.

“Tá rolando uma bagunça aqui na senzala, é?”. Na sequência, pode-se contar sete funcionários na ampla cozinha. Além de ser casada com o dono da televisão, Luciana teria um salário de, em média, 400 a 500 mil reais. O caso ganhou repercussão em todo o país graças ao site da Revista Veja.

A Veja conversou com os representantes do coletivo que é contra o racismo e descobriu que a entidade conseguiu recuperar as imagens publicadas por Luciana. Na página do ‘Coletivo Sistema Negro’, o vídeo apagado por Gimenez tem mais de 50 mil visualizações.

Em uma mensagem publicada na rede social, o grupo diz que o Brasil tem uma herança muito forte da escravocracia e que, infelizmente, pessoas públicas que deveriam combater esse mal, na verdade, acabam compartilhando esse tipo de situação. O grupo lembrou que era na senzala que negros apanhavam e eram estuprados por seus ‘senhores’. A escravidão acabou oficialmente no Brasil em 13 de maio de 1888, graças à assinatura da Lei Áurea, assinada pela filha de D. Pedro II, Princesa Isabel. Mesmo assim, os rumores do mal do passado ainda são claros no dia a dia.

Em tempo: a Veja procurou Gimenez, que não comentou as imagens.

Veja abaixo o vídeo que mostra a apresentadora da RedeTV comentando que sua cozinha está muito bagunçada e chamando o local de senzala, mesmo nome dado ao local onde os negros ficavam no período da escravidão.

Enquanto isso no #PaísdaHerançaEscravocrata, vemos pessoas públicas usando irresponsavelmente termos que remetem a um período desumano e violento para nós, negros e negras.Luciana Gimenez – e qualquer outra pessoa não-negra, pública ou não pública: tenha mais responsabilidade social, histórica e cultural com o que fala, mesmo no momento de "descontração".Senzala não é brincadeira. Senzala é violência, é dor, é o território específico da desumanização que por 4 séculos nós negros sofremos nesse país. Senzala é o lugar do abandono, da inivisibilidade. Senzala é lugar do estupro das mulheres negras, da bestialização dos homens negros, do desmanche da família negra e da perpetuação do racismo nas instâncias mais subjetivas que ainda atingem o povo negro, como em sua afetividade.Senzala não é brincadeira. Escravidão não foi brincadeira. Palavras têm história, e a história dessa é uma só: Racismo. Respeite essa história. Respeite e entenda as marcas que ela ainda mantêm na nossa sociedade.Em suma, "meça suas palavras, parça".Nosso lugar não é na Senzala. Nosso lugar vem do Quilombo!

Publicado por Coletivo Sistema Negro em Quinta, 18 de maio de 2017

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