Me apaixonei pelo motorista e entrei no casamento de busão!

Eu vendia passes e ele pilotava; conheci meu amor no transporte público e cheguei de ônibus na igreja…

Uma das sensações mais gostosas do mundo é olhar pra uma pessoa que já está olhando pra você! Foi um desses momentos que transformou minha vida para sempre. Ele dentro do ônibus e eu vendendo passes na calçada quando nossos olhares se cruzaram pela janela. Abaixamos a cabeça como quem sente vergonha, mas na verdade estávamos sendo impactados pelo nascer de um grande amor. Anos depois, aquele mesmo cenário que foi palco desse encontro me levou até meu muso no altar: casei de busão!

Nos conhecemos no ônibus

Em 2011, eu e o Rodrigo trabalhávamos na mesma companhia rodoviária. Ele passava pelo ponto onde eu vendia passes todos os dias, na Baixada Santista (SP). Trocamos olhares à distância em cada novo encontro arquitetado pelo destino. Certo dia, comecei a vender bilhetes em outro local. O novo ponto de vendas me fez embarcar na mesma linha que o Rodrigo pilotava. Nervosa, evitei ao máximo entrar no ônibus que ele dirigia! Pois não teve jeito, um dia acabei dando de cara com o Rodrigo no volante. Como era pra ser, passamos o caminho inteiro conversando… Até que ele pediu meu telefone. Neguei, disse que ficaria pra próxima. Peguei seu ônibus novamente e criei coragem para dar meu número. Pouco tempo depois ele me ligou já com um convite na ponta da língua. No nosso primeiro encontro passamos horas conversando na beira da praia! O namoro oficial veio logo em seguida e durou felizes três anos. Ficamos quase dois anos separados para descobrir se estávamos no relacionamento certo; e não é que estávamos? Retomamos a paixão em 2014. Era inegável, tínhamos sido feitos sob medida!

O busão começou como piada, mas virou coisa séria!

Não queríamos perder tempo depois que ficamos afastados. A pausa no namoro foi essencial, nos fez perceber o quanto nos gostávamos. Por isso decidimos casar em quatro meses, em dezembro de 2015. Era uma loucura anunciada e a gente sabia: flores, música, comida, carro… A lista de preparativos não tinham fim. Foi discutindo detalhes da grande festa que surgiu a ideia do ônibus. Precisávamos decidir o modelo do carro que me levaria até a igreja e vimos que a brincadeira não era barata: R$ 200 por hora! O Rodrigo soltou uma piada assim que viu o orçamento: “se não der pra ir de carro, a gente entra de ônibus na festa”. Ri com o deboche, mas no fundo achei a ideia ótima! Ele, que falou na brincadeira, logo percebeu meu entusiasmo e começou a planejar esse sonho.

A burocracia era enorme e quase impossível de ser resolvida com apenas três meses para o casório. Rodrigo pediu autorização para a Viação Piracicabana, a empresa onde nos conhecemos, mas a chefia não sabia confirmar daria pra liberar o veículo. Diante dessa incerteza, decidimos alugar um carro mesmo. Afinal, não ia dar pra casar a pé, né?

– Motorista, toca pra igreja!

Eu estava finalizando a maquiagem quando ligaram pra dizer que o ônibus tinha sido liberado. O carro que eu tinha alugado me esperava lá embaixo e eu não sabia o que fazer, ninguém no casamento imaginava que eu podia chegar de ônibus. A dúvida durou pouco; a empresa queria que eu escolhesse alguém para dirigir e logo sugeri um amigo do Rodrigo que não iria ao casamento por causa do trabalho! Em pouco tempo ele me buscou e fomos juntos para a cerimônia.

Foi tudo tão de última hora que eu ainda estava em estado de choque com a cena, coisa de filme! Apoiei o buquê de rosas azuis no banco, me segurei no corrimão e fui encontrar meu amor no altar! Só apertei o sinal de parada quando estava chegando… O ônibus foi estacionando na porta da igreja e as pessoas não entenderam muito bem o que estava acontecendo. Então, a porta do meio abriu e eu estava ali, toda de branco pronta para me casar! Foi uma choradeira só, ninguém no casamento imaginou que eu fosse chegar assim – inclusive o noivo! Rodrigo tinha até me avisado que o veículo estava liberado, mas eu não respondi e ele não imaginou que eu fosse topar essa loucura. Antes do casamento, falei várias vezes pra ele levar um lencinho no bolso do paletó para enxugar as lágrimas, mas ele me garantiu que não ia chorar. Quando desci do ônibus, não teve jeito… Rodrigo chorou, e muito!

Sonho realizado

Desde criança sonho em me casar. Apesar de não planejar os detalhes, sempre quis um casamento marcante, tão maravilhoso que ninguém nunca mais esquecesse. Chegar de ônibus não estava nos planos, mas tornou real meu desejo de ter um casamento inesquecível! Foi uma experiência incrível e significou muito para nós, afinal, o ônibus foi o início de tudo: como nos conhecemos, onde conversamos pela primeira vez e, enfim, foi no busão que juramos amor eterno… Paixão de transporte público pode, sim, ser pra vida inteira!

 

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