Modelo teria morrido após quiropraxista manipular seu pescoço: há risco na técnica?

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A photo posted by Ms_KatieMay (@ms_katiemay) on

A modelo norte-americana Katie May, famosa por posar para a revista Playboy e conhecida como “Rainha do Snapchat”, morreu em fevereiro deste ano depois de sofrer um AVC devido a um bloqueio do fluxo sanguíneo cerebral através de sua artéria carótida. Agora, 7 meses após sua morte, o site norte-americano de celebridades TMZ afirma ter tido acesso à autópsia. Segundo a publicação, o óbito é associado a uma sessão de quiropraxia – técnica de manipulação e ajuste das articulações do corpo. Investigamos se esse é mesmo um risco – e se existem outros – decorrentes da prática.

Morte de modelo após sessão de quiropraxia

De acordo com informações do site TMZ, que afirma ter tido acesso a uma cópia do atestado de óbito de Katie May, o documento diz que a modelo morreu quando uma lesão por impacto e sem cortes lacerou sua artéria vertebral esquerda e interrompeu o fluxo de sangue para o cérebro e ainda que a lesão foi causada durante uma manipulação do pescoço feita por um quiroprata.

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Ainda de acordo com o site, Katie teria sofrido uma queda durante uma sessão de fotos e achou que estava com um “nervo pinçado”. Para sanar o problema, ela procurou um quiroprata em uma sexta-feira e teve o AVC na segunda-feira seguinte. Katie May morreu alguns dias depois.

Quiropraxia pode causar AVC?

A quiropraxia visa tratar e prevenir desordens dos músculos, nervos e ossos por meio de técnicas manuais, que podem ser aplicadas em diversas partes do corpo.

A relação entre a manipulação terapêutica do pescoço, que pode ser feita em sessões de quiropraxia, e a ocorrência de AVC ainda é controversa na literatura científica. Enquanto alguns estudos apontam que o risco existe, outros não encontraram relação estatisticamente significativa entre uma coisa e outra.

Para a American Heart Association (AHA), um importante órgão de saúde dos Estados Unidos, “tratamentos envolvendo manipulação do pescoço podem estar associados a AVC, mas essa afirmação ainda não pode ser dita com certeza absoluta”. Isso porque a evidência científica ainda é fraca, ou seja, são necessários estudos maiores que investiguem as relações de causa e efeito.

Para o neurologista e professor José Biller, principal autor da declaração da AHA, apesar de não haver sido comprovada uma relação de causa e efeito e o risco ser provavelmente baixo, a dissecção arterial pode resultar em uma séria lesão neurológica e as pessoas precisam saber disso antes de se submeterem à terapia.

Como a manipulação do pescoço causaria um AVC

O mecanismo de lesão, nesses casos, seria a dissecção (ou seja, lesão que ocorre sem necessariamente ter havido um corte na pele) das artérias que ficam na região cervical, que são as artérias carótidas e vertebrais.

“A dissecção arterial pode causar AVC isquêmico [que “entope” o vaso] caso se formem coágulos na região depois de um trauma no pescoço e eles causem, posteriormente, bloqueio dos vasos sanguíneos no cérebro”, diz a associação. “Dissecção de artérias cervicais é uma causa importante de AVCs em adultos”.

Segundo José Biller, a maioria das dissecções arteriais envolvem trauma, estiramento ou estresse mecânico. “Movimentos súbitos de hiperextensão e rotação do pescoço podem resultar em dissecção das artérias cervicais”. Apesar de serem variadas, algumas técnicas de manipulação do pescoço usadas como terapia fazem esse movimento e, às vezes, envolvem uma pressão vigorosa.

Posicionamento da Associação Brasileira de Quiropraxia (ABQ)

Segundo a Associação Brasileira de Quiropraxia (ABQ), instituição associada à World Federation of Chiropractic (WFC), que acompanha o caso de Katie May mais de perto, a causa da morte da modelo ainda está sendo avaliada. O órgão afirma ser muito complicado comprovar cientificamente que foi a manipulação realizada pelo quiropraxista que levou ao AVC.

Além disso, o presidente da ABQ, o quiropraxista Roberto Suzano Bleier Filho, explica que o risco de Acidente Vascular Cerebral após manipulação do pescoço, apesar de muito baixo – um caso a cada 1,5 milhão –, é muito bem conhecido pelos quiropraxistas.

Por isso, evita-se fazer a manobra chamada rotação cervical alta, realizada na primeira vértebra cervical. A movimentação poderia causar a lesão na artéria vertebral e, em consequência, o AVC.

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