Muitos foram afetados pelo desastre de Chernobyl, mas essas são as vítimas “invisíveis”

O projeto de fotografia da fotógrafa Jadwiga Bronte é uma investigação visual dos efeitos do desastre da Chernobyl.
“O que mais me surpreendeu foi que não haviam apenas vítimas de Chernobyl naquelas instituições, mas sim qualquer pessoa considerada ‘diferente’ pelo governo bielorrusso”.O projeto de fotografia da fotógrafa Jadwiga Bronte, The Invisible People of Belarus (As pessoas invisíveis da Bielorrússia) é uma investigação visual dos efeitos do desastre da Chernobyl. Especificamente, um retrato dos danos causados nas pessoas que vivem internadas em instituições do governo. Já se passaram mais de 30 anos do desastre de Chernobyl, mas suas consequências ainda são latentes. As partículas radioativas que resultaram da explosão de uma fábrica na Ucrânia caíram em grande parte na Bielorrússia, contaminando a região.

A fotógrafa, em entrevista ao ‘Vice’, falou de seu projeto, sobre o que a inspirou e também a respeito da surpresa que teve ao perceber que os internatos não recebiam apenas vítimas do desastre.

“Esse assunto sempre esteve muito próximo de mim. Nasci na Polônia, um estado satélite da URSS no momento em que ocorreu o desastre de Chernobyl. Depois de colher mais dados sobre as consequências desse desastre através de um incrível ensaio fotográfico, “Chernobyl Legacy”, de Paul Fusco, soube que deveria ir para a Bielorrússia e trabalhar sobre esse tema. O que mais me surpreendeu foi que não haviam apenas vítimas de Chernobyl naquelas instituições, mas sim qualquer pessoa considerada ‘diferente’ pelo governo bielorrusso”, disse a fotógrafa.

“As pessoas que visitei nas instituições são incríveis, fortes e belas. Desejo mostrar através do meu trabalho que os deficientes são capazes de estudar, trabalhar, estabelecer relações duradouras e contribuir com a sociedade. Sinto que existe certa felicidade espontânea em todos meus retratos, e espero que os observadores também sejam capazes de vê-la. Trabalhar com um tema tão delicado é algo difícil, sempre existem críticas. Porém, acho que as pessoas devem sempre conhecer a verdade”, disse Jadwiga.

Jadwiga nunca havia trabalhado com deficientes antes desse ensaio fotográfico, pois sua maior preocupação era não causar estresse. Na Bielorrússia, essas pessoas ainda são vistas como um tabu, e com frequência acabam sendo abandonadas, diz a fotógrafa. “Gostaria de ver essas pessoas reconhecidas e aceitas, que lhes fosse permitido voltar a fazer parte da sociedade”, exaltou.

Jadwiga diz que as imagens que produziu são uma metáfora do passar dos tempos, da mentalidade soviética e uma lembrança de que esse é um problema de muito tempo. “Além disso, essas pessoas invisíveis podem continuar invisíveis, e ninguém lembrará delas no final. Talvez uma fotografia seja a única prova de sua existência”, concluiu a fotógrafa.

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