Mulher que tomava pílula descobriu estar grávida só na hora do parto: como é possível?

Amelia nasceu com quase 3 kg e mãe e filha estão saudáveis;

Uma mulher britânica de 23 anos só descobriu que estava grávida no momento de dar à luz. O parto de sua filha, inclusive, foi feito naturalmente, na sala da sua casa. Klara Dollan engravidou de Amelia – que nasceu supersaudável e pesando 3 kg – mesmo tomando pílula anticoncepcional contínua.

O caso foi reportado pelo site britânico Daily Mail, que chamou a situação de “gravidez oculta”. Klara contou à publicação detalhes da sua rotina no dia do nascimento, que seria um dia normal em sua vida se não fossem as dores que sentiu pela manhã, que pensava serem de cólicas menstruais.

Mas, será que os sintomas da gravidez podem passar despercebidos pela mulher? Estar grávida sem saber pode prejudicar o desenvolvimento do feto e a saúde da mãe? E engravidar tomando pílula: é possível? Tiramos todas as dúvidas com o ginecologista e obstetra Alfonso Massaguer e contamos o caso completo a seguir.

Gravidez oculta: entenda o caso

Mulher nem sempre tem interrupção na menstruação apenas por conta da gravidez

A jovem britânica Klara Dollan não sabia que estava grávida, pois, entre outros fatores, não teve como perceber um dos sintomas comuns que alertam que vem um bebê por aí: a interrupção da menstruação.

Tomando pílula anticoncepcional sem intervalos, ela já não menstruava costumeiramente. Então, quando começou a sentir dores abdominais no início da manhã do dia do nascimento, achou que era apenas mais um problema relacionado à cólica menstrual.

Por isso, Klara fez o trajeto de sua casa até o trabalho de 40 minutos e, conforme reportou o Daily Mail, participou ainda de uma reunião de duas horas de duração. Era o primeiro dia em seu novo emprego.

Somente depois deste compromisso é que ela começou a se sentir mal e pediu para ser dispensada do trabalho.

Em casa, mais um desafio: ela esqueceu as chaves no interior do local e precisou esperar por mais duas horas a chegada de um chaveiro, que abriu a porta.

“De vez em quando, a dor era tão ruim que eu tinha de agarrar o corrimão”, disse. “Depois ela diminuiu, mas eu não podia ficar parada. Eu tinha que continuar andando, subindo e descendo as escadas do meu prédio”.

A frequência e o grau da dor foram aumentando, então, Klara conta que começou a gritar.

“Passei uma hora e meia andando do banheiro para o meu quarto. O único lugar que eu me sentia confortável era sentada no vaso sanitário”, revelou. “Mas, a dor de repente se tornou tão ruim que eu disse a mim mesma: ‘Eu não me importo, eu vou ter de gritar’”.

Foi quando um vizinho de Klara ouviu seus gritos de dor e bateu na porta para ajudá-la. Antes que uma ambulância pudesse chegar, entretanto, ela sentiu um ímpeto de começar a fazer força e empurrar, indicando que a bebê estava pronta para nascer.

“Por instinto, eu peguei uma toalha e enrolei-a nela. Eu não podia acreditar que eu tinha um bebê em minhas mãos. Eu estava em choque total e absoluto”, contou ao site.

“Gravidez oculta”: com quem acontece?

De acordo com os médicos ouvidos pelo Daily Mail, a chamada “gravidez oculta” normalmente afeta mulheres jovens e mães de primeira viagem e as que acreditam que já passaram pela menopausa e que, por isso, não precisam usar métodos de contracepção.

Quem tem Síndrome do Ovário Policístico fica longos períodos sem menstruar – o que está ligado, inclusive, à infertilidade. Por isso, é comum que a ausência de sangramento não seja associada à gravidez.

Como ela não percebeu os sintomas da gravidez?

Barriga aparente

O “barrigão de grávida” é um dos sinais mais aparentes da gestação. Apesar disso, Klara conta que tirou fotos até os 7 meses de gravidez e não se atentou ao fato de que ali se desenvolvia um bebê.

Durante o período da gestação, ela engordou 12 kg, índice máximo recomendado às gestantes. Mas, associou o fato a uma alimentação mais gordurosa, motivada pelo término do relacionamento com o pai da bebê.

“Eu tinha mais gordura em várias partes do corpo, mas eu tenho uma foto de mim mesma em um vestido aos sete meses de gravidez e você não diria que era ela. A única coisa que eu diria é que eu notei a metade superior do meu estômago mais dura quando eu tocava, cerca de um mês antes do nascimento”.

Klara aos 7 meses de gravidez, porém não sabia que estava grávida

De acordo com o ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana e diretor da Clínica Mãe, Alfonso Massaguer, são vários os fatores que podem “camuflar” a barriga de grávida.

“É muito raro não notar isso. Mas, atletas de performance, por exemplo, têm abdome mais firme, então o útero demora para aparecer na barriga. Quem tem uma dieta restrita também engorda pouco e ainda há casos de pessoas que sofrem de obesidade e não conseguem perceber o bebê”.

De acordo com o especialista, outro fator deve ser levado em conta no caso de Klara: é mais comum que a barriga “estique” menos na gravidez do primeiro filho.

“A barriga cresce por causa do bebê e também por conta do acúmulo de líquidos e da placenta. Mas, isso depende também do tipo físico da mulher: se ela é mais estreita, se vê a barriga mais claramente; já se tem menos cintura, isso pode ficar menos nítido”.

Menstruação

Engravidar tomando pílula

No caso de Klara não houve interrupção de sangramento, um dos indícios comuns da gravidez, pois ela tomava pílula de uso contínuo para evitar a gravidez.

A dúvida, portanto, é: como ela conseguiu engravidar tomando o anticoncepcional?

Conforme ela reportou ao Daily Mail, a fecundação ocorreu em consequência de dois aspectos que comprometem a eficácia da pílula: tomar antibióticos ao mesmo tempo e ter um episódio de vômitos por mais de 24 horas, o que dificulta a absorção do comprimido.

Vale lembrar que o método contraceptivo oral tem 98% de eficácia e depende de uma série de cuidados da mulher que o utiliza.

“A porcentagem de falha da pílula não é tão pequena como pensamos, porque há as chances de tomar errado e esquecer”, destaca o ginecologista.

Mais sinais de gravidez

Outros sinais comuns durante a gestação, como enjoos, sono, cansaço, dores do seio, desejos, tonturas e desmaios variam de caso para caso, podendo ser muito fracos ou até mesmo inexistentes.

Fator psicológico: negar a gravidez

O ginecologista explica ainda que a falta de percepção da gravidez está relacionada ao fator psicológico de negação do fato. “Não há uma ausência total de sintomas, muito provavelmente a mulher não relaciona à situação ou cria uma negação”, explica.

A opinião é compartilhada pela obstetra e ginecologista Karina Zulli, do Hospital e Maternidade Rede D’Or São Luiz, que deu entrevista ao Bolsa de Mulher.

“A mulher que não pensa na possibilidade de estar grávida vai camuflar ou ignorar os sintomas. Se sente tontura, pensa que a pressão caiu; se tem dor no seio, acha que é porque vai menstruar; se sente sono em excesso, é porque tem trabalhado demais”.

Riscos de não saber se está grávida

De acordo com o médico, o fato de não ter um acompanhamento médico durante os nove meses pode trazer alguns problemas de saúde para a mãe e para o bebê.
“A falta de pré-natal já é um problema, porque a mãe não terá uma alimentação adequada e se tiver alguma complicação, como aumento de pressão, por exemplo, está desprotegida”.

Ele destaca que continuar tomando pílula mesmo grávida não traz complicações ao bebê, a princípio. “Mas, o quanto antes isso for percebido e suspendida a pílula, melhor”.

Na dúvida se você está grávida ou não, apresentando qualquer diferença em seu ciclo menstrual ou aumento de peso sem motivos aparentes, entre outros sintomas diferentes da normalidade, marque uma consulta com ginecologista para uma avaliação.

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