Não obrigue seus filhos a dar beijos e abraços em parentes!

Assim que começamos a viajar de férias, principalmente nessas épocas de festas, nos deparamos com a seguinte situação:iniciamos as visitas aos avós, tios, primos, pessoas que são queridas da nossa família mas não necessariamente do convívio rotineiro dos nossos pequenos e os parentes geralmente esperam ser recepcionados com muitos beijos e abraços das crianças, não é mesmo?

Infelizmente, nem sempre cenas de reencontro de filmes acontecem nessas horas e confesso que me sinto despreparada às vezes para lidar com as expectativas ansiosas dos parentes e amigos versus o tempo de minha filha se ambientar.

Até escrevi um post sobre timidez nessas situações, muito comuns principalmente em crianças na faixa de 1 a 3 anos
Para lidar com situações como essas, muitas mamães acabam por obrigar a pequena criança a dar um beijo e abraço no parente, mesmo sendo contra a vontade dela. Eu mesma já falei: “ah Clara, dá um beijinho na sua tia!”.

Mas devemos ter esse tipo de comportamento? Que mensagem estamos passando para nossos filhos obrigando-os a ter contato corporal sem a vontade deles?
Pensando nisso, resolvi abordar parte de um artigo da CNN, citado por Pop Sugar, chamado “Eu não sou dona do corpo de meu filho”, que explora muito esse tema. O artigo original se encontra aqui.

Katia Hetter, a autora, diz que “forçar crianças a tocar pessoas quando elas não querem, acaba por deixá-las vulneráveis a potenciais pessoas mal intencionadas (futuros abusos sexuais).
Ao assumir que obrigar seu filho a dar um beijo da bochecha da vovó não tem nada a ver com potenciais abusos sexuais no futuro, você estará violando a “zona de conforto” de seu filho e esta criança aprenderá a aceitar qualquer pessoa nesta situação.

O artigo ainda aborda que devemos incentivar nossos filhos a ouvir seu próprio “senso de zonas de conforto” e jamais incentivá-los ignorar esse tipo de feeling. Esse senso é aquele que nos alerta a qualquer situação que nos deixe desconfortáveis perto de outra pessoa. A criança nunca deve tocar ou ser tocada quando se sente desconfortável, sendo essa pessoa da família ou não, justamente para que ela não perca esse senso de proteção no futuro. Beijos e abraços NUNCA devem ser obrigados e sim vir da vontade única e exclusiva da criança de expressar seus sentimentos.

Crianças pequenas geralmente nos testam mesmo e uma das maneiras que eles encontram de chamar a atenção é negando-se a fazer coisas que nós teremos de qualquer forma que arrumar um jeito de convencê-los a fazer, como comer, tomar banho, se vestir e comportar-se educadamente.

Porém, recusar a demonstrar afeto, como falado acima, nunca deve ser colocado nessas categorias primordiais como alimentação e bom comportamento. Crianças podem sim ser muito bem educadas respeitando seus jeitos individuais de ser e demonstrar afeto.

Uma atitude que ajuda muito a lidar com essas expectativas de parentes, se concordar com essa linha de pensamento do artigo da CNN, é conversar sobre essa linha educacional que está adotando com os seus entes queridos. Eles respeitarão sua decisão como mãe.

Outra coisa que pode ser feita, é substituir a obrigação por beijos e abraços por apertos de mão e “toques”, que é também uma forma super educada de cumprimentar as pessoas. Até as crianças mais tímidas podem aderir. Dá até para criar “cumprimentos de mão especiais e estilizados”, com os parentes mais queridos. Diversão garantida.

Aos poucos, conforme o vínculo da criança com os parentes vão se consolidando, elas naturalmente irão demonstrar afeto, por livre e espontânea vontade.

Este post expressa opiniões do artigo da CNN. Eu mesma fiquei bastante chocada pois frequentemente solicitava a Clara (até insistia) para ela dar beijinhos nos avós que moram em outra cidade e não a veem com frequência. Porém, estou começando a pensar e olhar isso com outros olhos. Realmente nossos instintos são sempre muito importantes e, se não nos sentimos bem com uma pessoa, jamais devemos deixá-la nos tocar. Claro que parentes queridos quebram essa barreira rapidamente e logo, conforme a criança for se sentindo mais confortável, ela mesma pode querer espontaneamente expressar afeto.

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