O que é doença que matou Elke Maravilha? Saiba causas e grupos com maior risco

*Matéria publicada em 16/08/2016

A atriz Elke Maravilha morreu aos 71 anos na madrugada desta terça-feira (16) . Ela estava internada desde o dia 20 de junho na Casa de Saúde Pinheiro Machado, na zona sul do Rio de Janeiro. O irmão da atriz, Frederico Grunnupp, afirmou ao Vix que Elke estava em coma induzido após operar uma úlcera duodenal e não vinha respondendo às medicações.

O que é úlcera duodenal?

Trata-se de uma lesão ou ferida que compromete as paredes do duodeno (parte inicial do intestino delgado). Ela pode ser superficial, profunda ou, em casos mais graves, até levar à perfuração do órgão, que fica logo após o estômago.

Causas

De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Brasília Ronaldo Cuenca, as úlceras são causadas pelo desequilíbrio entre a agressão provocada pelo ácido produzido no estômago (que é responsável pela digestão dos alimentos) e o muco produzido pelo corpo para defesa do organismo.

“O ácido faz a digestão dos alimentos e também combate contaminações, então tanto ele quanto o muco são importantes para o organismo. O problema é quando ocorre uma quebra no equilíbrio”, explica Cuenca.

Os principais responsáveis pelo aparecimento de úlcera são as substâncias que aumentam a produção do ácido produzido no estômago. São eles: cigarro, álcool, estresse, grande ingestão de anti-inflamatórios e alimentação ruim.

Grupos de risco

A doença pode surgir em qualquer idade e em qualquer pessoa, mas é mais comum em pessoas mais velhas e que estão mais expostas aos fatores de risco, justamente porque a úlcera é uma consequência dos danos provocados a longo prazo.

Sintomas

O principal sintoma da úlcera no duodeno é a dor de estômago. “O primeiro sintoma que costuma aparecer é a dor no epigástrio, que as pessoas costumam chamar de boca do estômago. Para fazer o diagnóstico da doença, é preciso fazer uma endoscopia digestiva”, explica o cirurgião.

Em casos mais graves, a pessoa pode apresentar vômitos com sangue, fezes escuras, sangue vermelho nas fezes e sinais de infecção abdominal, como dor em todo o abdômen e febre. Todos os sintomas são semelhantes ao da úlcera gástrica.

Tratamento

O cirurgião do aparelho digestivo afirma que 98% dos casos de úlcera no duodeno são tratados apenas com medicação. “Esse tipo de lesão não é comum, mas também não é rara hoje em dia. Já existem medicamentos muito potentes que são capazes de resolver o problema. A cirurgia só é indicada em casos graves”, explica.

Segundo o especialista, os indicativos para a operação são intratabilidade clínica – ou seja, o paciente não respondeu à medicação -, hemorragia, obstrução e perfuração do duodeno. “Se houver sangramento, isso vai ser percebido na endoscopia e nós tentamos combatê-lo durante o próprio exame. A cirurgia só é feita quando realmente não existe outra forma de tratar”, enfatiza.

Úlcera crônica

Algumas pessoas têm úlcera crônica, o que significa que a doença surge, é tratada, resolvida e, depois, o mesmo problema voltar a aparecer. Nestes casos, pode ser que as cicatrizes decorrentes das diversas úlceras na mesma região causem uma obstrução duodenal, ou seja, que elas interrompam a passagem.

Se isso acontecer, a pessoa precisa se submeter a uma operação para resolver.

Cirurgia de úlcera

A cirurgia de úlcera pode ser feita de duas maneiras. A primeira possibilidade é através da ressecção de parte do duodeno e do estômago. Neste caso, partes dos órgãos são retirados, ou então é fechada parte do duodeno e feito um desvio para os alimentos não mais passarem pelo local afetado.

Outra forma de tratar cirurgicamente é fazendo interrupções nas enervações do estômago. Neste segundo caso, o cirurgião corta alguns nervos presentes no estômago para diminuir a interferência dos fatores agravantes da úlcera sobre a produção de ácido gástrico.

“Quando optamos por seccionar os nervos que chegam no estômago, localizamos os nervos específicos e cortamos para fazer com que os motivadores da úlcera deixem de causar tanto problema. Mas vale ressaltar que a cirurgia só é feita em casos em que acontecem complicações”, reafirma o cirurgião.

Coma induzido é grave?

Após a cirurgia, Elke Maravilha foi colocada em coma induzido, o que assustou grande parte de seus fãs. Contudo, Cuenca afirma que ficar em coma induzido não é algo preocupante e que este é um procedimento comum feito para preservar o paciente.

“No coma induzido, o organismo fica mais ‘quietinho’, sem gastar muita energia,porque a pessoa fica inconsciente. A recuperação acontece de forma mais lenta. É uma atitude em benefício do paciente. Geralmente, é feito com o intuito de preservar o cérebro da pessoa”, explica o cirurgião gástrico.

Diabetes é agravante?

A atriz tinha diabetes, o que, de acordo com Cuenca, pode ter piorado a infecção e dificultado a cicatrização no pós-operatório. “Não dá para afirmar que o diabetes teve alguma interferência no quadro da Elke porque eu não acompanhei o caso, mas o diabetes costuma piorar infecções e atrapalhar cicatrizações, mas não interfere na absorção medicamentosa”, esclarece o médico.

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