O que é o transtorno que fazia atriz tomar banhos de 10h e ter “manias” estranhas?

Luciana Vendramini, 46 anos, já falou algumas vezes sobre o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) que ela desenvolveu há 20 anos.

O problema é caracterizado pela presença de “manias” ou “rituais” que não têm uma explicação lógica (por exemplo, colocar sempre o pé esquerdo no chão antes do direito ao acordar) e se tornam uma obsessão para o paciente.

Em entrevista ao programa “Luciana By Night”, na RedeTV!, a atriz contou que, por conta do TOC, seus banhos chegavam a demorar cerca de 10 horas – ela não conseguia sair do chuveiro antes de sentir que estava completamente limpa – e que uma vez ela ficou mais de um dia sem conseguir sair de perto de um fio de alta tensão na rua.

“Eu tinha que pensar algo bom na hora que eu estivesse passando por baixo do fio. Fiquei 26 horas parada embaixo dizendo ‘agora eu vou, agora eu vou, agora eu vou’ e não conseguia”, relembra.

Manifestação da doença na atriz

“Estava andando de bicicleta na Lagoa [Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro] e parei. Senti um medo incontrolável e até cheguei a achar que pudesse ser um ataque de pânico, mas não. Naquele momento, estava refém de um pensamento que dizia ‘eu só vou sair daqui depois que passarem três pessoas vestindo camiseta amarela’. Eu comecei a chorar”, relembra sobre sua primeira crise.

Problemas desencadeados pelo TOC

Luciana conta que o transtorno psicológico fez com que ela desenvolvesse manias e se sentisse com uma “eterna dúvida”. Isso porque ela temia que, se não cedesse à obsessão, algo ruim poderia acontecer.

Segundo Vendramini, ela tinha total consciência de que as suas manias não eram normais, mas o medo de que alguma coisa ruim acontecesse caso ela não cumprisse os rituais era muito maior e isso fazia com ela ficasse por horas exercendo uma mesma função.

“O TOC é uma doença horrorosa e não tem lógica”, descreve.

O que é TOC?

O psiquiatra e psicanalista Mario Louzã explica que o TOC tem como característica sintomas obsessivos, como pensamentos repetitivos e comportamentos compulsivos (“rituais”) feitos repetidas vezes.

“A pessoa tem noção de que as obsessões e/ou as compulsões não fazem sentido, mas ela não consegue impedir os pensamentos ou rituais. Em geral, os portadores de TOC sofrem muito por não conseguir controlá-los”, explica Louzã.

De acordo com o especialista, este problema afeta cerca de 2% da população e também pode atingir crianças. Caso não seja tratado adequadamente, o problema tende a se tornar crônico.

Quais os sintomas?

Precisar repetir números de placas de automóveis que vê na rua, fazer cálculos com os números ou tentar formar palavras com as letras são exemplos de obsessões.

Além disso, também é comum que as pessoas afetadas pela doença tenham repetidos pensamentos pessimistas, como o de que podem causar mal a alguém.

“A pessoa pode também ter pensamentos de que está contaminada, de que suas mãos estão sujas e, por isso, precisa lavá-las repetidamente. Porém, por mais que elas façam isso, não se convencem de que estão limpas. A compulsão é tão grande que a pessoa chega a machucar as mãos”, explica o psiquiatra.

Verificar várias vezes se trancou a porta de casa ou do carro, se o gás está desligado, etc., também podem ser indicativos de TOC. “Uma característica é ficar sempre na dúvida se executou corretamente a tarefa e, se não executa o ritual, a pessoa fica ansiosa”, comenta Louzã ao explicar que repetir a tarefa alivia a ansiedade das pessoas que sofrem deste problema.

Quais as causas?

As causas do TOC são desconhecidas, mas o psicanalista diz que já se sabe que fatores genéticos e hereditários, traumas e até ambientes com efeitos estressantes podem desencadear a doença.

“Do ponto de vista neuroquímico, sabe-se que há alterações em alguns circuitos cerebrais mediados pelo neurotransmissor serotonina”, comenta.

Como diferenciar mania de TOC?

A principal diferença é que as manias não causam prejuízos ou transtornos no cotidiano das pessoas. Quando o paciente tem TOC, os sintomas costumam “paralisar” sua vida e até o impedem de trabalhar e estudar normalmente.

Caso a pessoa perceba que o que ela considerava uma mania está começando a atrapalhar o seu dia a dia, um médico deve ser consultado.

TOC tem cura?

O tratamento é psicoterápico, especialmente com uma técnica comportamental conhecida como “exposição e prevenção de resposta”, que, em linhas gerais, consiste em expor o paciente a situações ou objetos que causam desconforto e ensiná-lo a não responder com o comportamento do TOC.

Aliado à terapia, são receitados medicamentos antidepressivos inibidores de receptação da serotonina.

O sucesso da terapia depende da gravidade da doença. Em geral, o tratamento precisa ser contínuo para evitar que os sintomas voltem.

Este é um site de noticias,curiosidades e tratamentos,ele não substitui um especialista.Consulte sempre seu médico.

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