Rosh Hashaná: receitas e curiosidades sobre o Ano Novo judaico

A data do Rosh Hashaná é determinada pelas fases da Lua e festejada durante dois dias com uma farta refeição. No banquete, peixes, carnes ensopadas e doces de frutas e mel não podem faltar

O costume é antigo: mergulhar um pedaço de maçã no mel

Tishrei é o nome do primeiro mês do calendário hebraico, no qual se comemora o Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico. As datas da celebração, que neste ano acontecem entre os dias 4 e 6 de setembro, são determinadas pelas fases da Lua. No lugar dos fogos e das confraternizações convencionais, os judeus fazem um balanço de suas vidas, erros e escolhas.

Segundo a tradição, quem segue os princípios do judaísmo louva a Deus como Rei da Criação e do mundo e é neste dia que Ele julgará a conduta dos seus fiéis. Orações e poemas religiosos embalam a festividade que começa ao anoitecer do primeiro dia com o toque do shofar, um instrumento de sopro feito com chifre de carneiro. No jantar da véspera, costuma-se trazer à mesa comidas típicas como sinal para um ano novo bom e doce. O chef Breno Lerner, autor de “A Cozinha Judaica” (Editora Melhoramentos), afirma que a comida tem participação mais que especial no Rosh Hashaná, juntamente com suas simbologias.

“Dois dos ingredientes principais são maçã e mel. A tradição é sempre mergulhar um pedaço da fruta no mel e falar: ‘Seja o seu desejo nos entregar um ano novo bom e doce'”, conta o chef que também ministra a Oficina de Gastronomia no Centro da Cultura Judaica de São Paulo. Comer a maçã simbolicamente expressa desejo do homem em ter a devoção de Abraão e a coragem de Isaac, personagens da Torá, o livro sagrado dos judeus.

Depois deste ritual, serve-se o Chalá (pão em formato circular, representando algo cíclico, sem fim) com patês e, em seguida, os pratos. O peixe é um dos poucos animais representados à mesa, por ele só nadar para frente – como os judeus esperam que seja seu novo ano. O costume pede, ainda, para que se reserve a cabeça do peixe utilizado para preparar Gefilte Fish, o bolinho tradicional, para a pessoa mais idosa da mesa, que antes de comê-la diz: “Que seja ‘Seu’ desejo nos colocar sempre junto à cabeça e não junto à cauda.”  Outro prato clássico do Rosh Hashaná é o delicioso guisado doce de cenouras passadas no mel. Em judaico, cenouras são chamadas de Meyren, que também quer dizer multiplicar. “Ao comer tzimes, expressamos nosso desejo que as bênçãos de Deus se multipliquem”, explica Breno.

Comer tâmaras também faz parte da celebração. Para eles, é uma maneira de pedir que os inimigos sejam destruídos. Complementam a lista romã, que simboliza os méritos e as virtudes que devem ser multiplicadas, além de gergelim, anis, arroz e sementes de papoula que evocam a abundância. Por outro lado, a noz é evitada em Rosh Hashaná. Em hebraico, o valor numérico da palavra Egoz, que remete as nozes, é o mesmo da palavra Chet que quer dizer pecado. “Nestes dias queremos a distância do pecado”, comenta o especialista.

Segundo o chef judeu, são inúmeros os ingredientes e significados. Cada alimento simbólico serve para expressar desejos e esperanças de forma concreta e tem uma reza própria para cada degustação. Só depois deles é servido o jantar, com pratos típicos adocicados.

O que é comida Kasher?

Comida judaica e comida kasher são coisas diferentes. A comida judaica se refere aos pratos da tradição, já a comida kasher é o alimento preparado de acordo com a Torá. Kasher (ou kosher) em hebraico significa “permitido”. Para que uma comida seja kasher, seus ingredientes têm a supervisão de um rabino na fabricação ou abate (caso de carnes e aves).

As leis judaicas só permitem o consumo de carne de animais ruminantes e com casco partido. Por isso, os judeus não comem carne de porco, que não são ruminantes. Com relação aos peixes, estão liberados aqueles que têm escamas e barbatanas, pois ao contrário de outros animais marinhos, eles não se alimentam de restos de animais encontrados no fundo do mar. Quanto às aves, é proibido se alimentar de rapinas, já que elas se alimentam de restos de outros bichos. Os animais considerados puros devem ser mortos em um ritual cheio de regras.Não é permitido, por exemplo,  que eles sofram antes de morrer. É importante lembrar que quem segue os preceitos do Judaísmo de forma rígida são os judeus ortodoxos, que só comem comida Kosher.

A seguir, para um banquete generoso e saboroso, selecionamos deliciosas receitas típicas da cozinha judaica.

Rosh Hashaná: receitas e curiosidades sobre o Ano Novo judaico

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