Sexo oral causa câncer? Risco é maior para quem faz ou recebe? Médico responde

A proteção contra o sexo oral é frequentemente ignorada entre casais, os quais esquecem que esse tipo de contato pode transmitir doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Além disso, há quem diga que a prática aumente a chance de desenvolver câncer da cavidade oral, como de boca e garganta.

Mas afinal, é verdade que sexo oral dá câncer? Para entender o assunto de vez, conversamos com o urologista Marcus Vinícius Verardo de Medeiros, membro do departamento de DST – Infecção e Inflamação, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

DST na boca causa câncer?

O médico explica que sexo oral não causa câncer de boca e garganta diretamente, mas pode transmitir o Papilomavirus Humano (HPV), capaz de desenvolver alterações celulares que geram tumores.

Ainda segundo ele, a carga viral pode estar mais concentrada no esperma, mas ainda assim não é necessário que o homem ejacule para passar a doença, até porque o HPV pode ser transmitido pelo contato com a pele da região genital.

Apesar de a incidência de câncer bucal ser 22 vezes maior em quem faz sexo oral desprotegido – de acordo com estudo publicado na revista médica Jama Oncology -, quem gosta destas carícias não precisa se preocupar excessivamente, visto que a incidência de tumores é, na maioria das vezes, associada a outros hábitos, como fumar e beber. Assim, apenas um minoria está ligada ao HPV.

Além disso, uma pessoa contaminada pelo micro-organismo não necessariamente manifestará a doença. Isso ocorre porque o vírus pode ser eliminado pelo sistema imune ou ainda permanecer “adormecido” por anos.

Quem está mais exposto: quem faz ou quem recebe?

Segundo o urologista Marcus Vinícius Verardo de Medeiros, sexo oral causa câncer de boca tanto para os ativos quanto para os passivos da relação desprotegida.

Como se proteger?

Esse é um tema controverso e que agrega muitas opiniões médicas, visto que o preservativo não impede totalmente a transmissão do HPV pois o vírus também se encontra em áreas que não são cobertas pela camisinha masculina ou feminina. No entanto, ele reduz as chances de contágio e ainda evita outras DSTs, como sífilis, HIV e hepatites.

Uma dica para o sexo oral é buscar preservativos com sabor, que tornam o carinho com a boca ainda mais atrativo.

Tomar a vacina contra HPV também reforça a prevenção. Apesar de estar disponível na rede pública somente para mulheres, a imunização também pode ser aplicada em homens.

Como identificar câncer na cavidade oral?

 

Estar atento a alterações bucais é o primeiro passo para identificar e tratar quaisquer anomalias precocemente.

Faça o autoexame bucal periodicamente e procure um médico se notar: lesões ou feridas que não cicatrizam em 15 dias; manchas vermelhas ou brancas na língua, céu da boca, gengivas ou bochechas; caroços no pescoço; dificuldade de engolir ou mastigar; problemas de fala; rouquidão ou sensação de que há algo na garganta.

Como tratar HPV?

A boa notícia é que o HPV tem cura. Em alguns casos, ele passa despercebido pois é eliminado naturalmente pelo sistema imunológico. Já em outros, especialmente quando surgem feridas e verrugas, o tratamento médico é indispensável.

Ele consiste em cauterização física ou química das feridas e uso de cremes e antibióticos.

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