Tratamento experimental: “Tratei a dor crônica com picadas de abelhas!”

Durante um ano, Angela levou quase 600 ferroadas durante o tratamento experimental. Mas teve alta e hoje não sente mais nada: esta curada!

Tem coisas que acontecem na memória para sempre. Me lembro de visitar uma tia da minha mãe quando era pequena e vê-la numa cadeira, com os dedinhos tortos sem força nenhuma para segurar os objetos. Elasofria de artrose, um desgaste das articulações. Além de ficar com os dedos deformados, também sentia dores e precisava de ajuda até para segurar um copo de água. Quando tinha crises, tomava um monte de remédios.

Senti muita aflição ao ver aquilo. Essa imagem nunca me saiu da cabeça, ainda mais quando, em setembro de 2013, fui diagnosticada com artrite reumatoide, doença sem cura que também afeta as articulações. Me vi exatamente como a tia da minha mãe, só que, em vez de remédios, usei picadas de abelha para tratar minhas dores.
Achei que ia perder os movimentos das mãos!
Há pouco mais de dois anos, sofri um baque e tanto quando recebi a notícia da morte da tia Nair, irmã da minha mãe e praticamente minha segunda mãe. Vim para São Paulo para o enterro e durante o velório comecei a sentir fortes dores nos pulsos e pernas. Minhas juntas ficaram tão inchadas e sem força que eu quase não conseguia me mexer. Tomei relaxantes musculares que amenizaram os sintomas.
Quando voltei para Curitiba, marquei uma consulta com um reumatologista. Eu estava desconfiada de que sofria de artrose. Já tinha alguns meses que quando eu acordava sentia as juntas dos dedos das mãos bem rígidas. Mas um exame revelou que eu estava com artrite reumatoide. O médico me explicou que era uma doença que acometia minhas articulações e que não tinha cura, pois é autoimune, ou seja, meu sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do organismo. Por isso, o único tratamento era controlar a dor. Primeiramente, eu poderia usar analgésicos e, caso piorasse, teria que tomar comprimidos a base de corticoide.
Um mês depois, tive a segunda crise. Desta vez foi pior. Minhas juntas ficaram inchadas e eu fiquei quase sem nenhuma força. Não conseguia fazer movimentos básicos, como me cobrir com o lençol durante à noite, me secar depois do banho elavar a louça. Nesse momento, a ajuda do meu marido me salvou. Comecei a ficar apavorada porque estava perdendo os movimentos. Morria de medo de perder os movimentos das mãos!
O médico me receitou os comprimidos de corticoide e as dores foram amenizadas. Mas os efeitos colaterais estavam prejudicando minha saúde. A pele dos braços ficou fina, tive princípio de diabetes. E se parasse de tomar um dia, as dores voltavam. Era terrível!
Levava dez picadas de abelhas por sessão! 
Em janeiro de 2014, estava contando sobre meu caso para uma amiga terapeuta e ela disse para eu procurar um médico antroposófico, que usa medicinas alternativas.Estava disposta a qualquer coisa para parar com o remédio, massem dor. Ele mudou minha alimentação (tirou leite, carne e industrializados) e me convidou para um grupo de testes de apiterapia, tratamento feito com picadas de abelha em pontos do corpo! O caso estava crítico – demorava dez minutos para subir poucos degraus – , decidi aceitar. Como eu já tinha sido picada por uma abelha e sabia que não era alérgica, comecei o tratamento.
As aplicações eram feitas por um médico com o auxílio de um acupunturista. As abelhas ficavamdentro de um saco plástico com furinhos bem pequenos. O doutor as pegavacom uma pinça e colocava em cima de um ponto da mão, pé ou coluna e daí o inseto soltava o ferrão.Ai, não vou mentir: erauma dor bem intensa. Mas o ferrão só fica na pele por um minuto e depois de retirado, aquele incômodo passa. Mas a pele ficava avermelhada e um pouco inflamada por uns dias. E nem se comparava às dores que eu sentia por causa da doença. Faziauma sessão por semana e levava, em média, dez picadas, o que deu quase 600 picadas ao longo do ano.
Quatro meses depois, voltei a lavar louça e conseguia até subir escadas de casa. Ainda sentia dor no pulso e não tinha recuperado cem por cento a força das mãos. Tudo isso porque as toxinas que existem no ferrão da abelha estimulam a produção de corticoide pelas glândulas suprarrenais, como o remédio.
Tive alta e faz oito meses que não sinto mais dor 
Logo, minhas dores no pulso se foram, recuperei a força e me movia bem. Até que em maio de 2015 tive alta. Já faz oito meses e nunca mais senti dor. Ainda tem alguns dias que eu acordo com as juntas inchadas, mas isso é normal.
É como se eu tivesse renascido. Não consigo acreditarque a picada de um inseto tão pequeno tenha um poder tão grande. E mesmo que a dor seja intensa, se eu precisar, volto na hora. É melhor sentir dor por alguns minutos do que para o resto da vida!
Picadas de abelha acabam com dores nas articulações
A apiterapia é um tratamento feito à base de produtos derivados das abelhas, como o mel, pólen, geleia real e as toxinas do veneno do ferrão e existe há milhares de anos. “Na literatura científica, existem relatos de pessoas que amenizaram problemas respiratórios, dermatológicos e dores nas articulações”, afirma Angelmar Roman, médico antroposófico. Os relatos mais frequentes eram de pessoas que tinham problemas nas articulações, por isso, em 2014, o especialista decidiu abrir um grupo para testarem as picadas. “O que os resultados sugerem é que as toxinas presentes no ferrão das abelhas estimula a produção de cortisona, que age como anti-inflamatório, amenizando as dores causadas por artrose, artrite e esclerose múltipla, por exemplo”, explica.
Essa técnica deve ser realizada por um apiterapeuta com um acupunturista, que indica os pontos certos. Geralmente nas costas, mãos e pés. “A dor é intensa, mas depois de retirado, para. O local pode ficar dolorido e inflamado por uma semana”. Os interessados pela técnica podem procurar um apiterapeuta, mas antes de se submeter ao tratamento é importante fazer um teste para saber se é alérgico. “A gente passa um gel que contém as toxinas do veneno no braço do paciente e verifica se ele é ou não alérgico”, finaliza o médico.
Este é um site de noticias,curiosidades e tratamentos,ele não substitui um especialista.Consulte sempre seu médico.

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