Zeca Camargo se despede de gato que o acompanhou por 17 anos com texto tocante

Quem já perdeu um animalzinho de estimação sabe como é a grande a dor de precisar se despedir de um verdadeiro companheiro de vida. O apresentador e jornalista Zeca Camargo dividiu esse sentimento com seus fãs e seguidores ao anunciar que seu pet, o Gatuno, havia morrido.

No último sábado (1), o jornalista descreveu em um post no Facebook como estavam sendo difíceis o que ele acreditava ser os últimos dias de vida de seu gato de estimação.

Na terça-feira (4), Zeca chegou a agradecer o carinho que recebeu de seus seguidores e, nesta sexta-feira (7), infelizmente, anunciou o falecimento do seu companheiro de 17 anos. No longo texto de despedida, o apresentador relembra momentos felizes que viveu ao lado do bichinho de estimação, mas também conta como Gatuno estava com a saúde debilitada.

“Senti que a hora estava mesmo próxima algumas noites atrás, enquanto assistia à TV com ele esparramado nas minhas pernas. (…) Durante anos ele chegava e se alojava lá – como uma esfinge. Mas seu pescoço não tinha mais nem energia para segurar a pose”, revelou o jornalista.

Despedida do animal de estimação

No texto, Zeca também contou que se despediu do seu “amigo inesquecível” dando a ele um último presente: penteando seu pelo com a escova que o gatinho tanto gostava. “Usei a escova com a gentileza de quem acaricia a pele de um bebê. E ele era mesmo o meu bebê naquele adeus. Achei que ele deu um sorrisinho durante aquelas escovadas – naquela ilusão tola que todo dono de bicho acha que eles estão sorrindo pra gente… Mas eu tinha que me convencer de que ele estava indo embora se sentindo especial”.

A última vez que o apresentador viu Gatuno vivo foi antes de sair para uma gravação. Neste momento, Zeca diz que chorou e que foi um choro de adeus e também de agradecimento pela companhia que teve por muitos anos. “Chorei mais um pouco enquanto ele seguia olhando o chão fixamente. Mais um beijo no seu cocuruto. Fui. E ele foi logo depois. Fui poupado dos momentos finais”, disse o apresentador.

Leia o texto de despedida completo:

Gatuno – Parte 25 – A despedida (final)

Está é a última foto que tirei com meu Gatuno. Achei que seria mais fácil olhar para ela, depois que eu perdi de vez meu companheiro. Também achei que seria mais fácil escrever este último texto de despedida. Que nada. Quando a gente diz adeus a um amigo querido, nada é fácil, nada é simples. Quando comecei este diário, semanas atrás, quando resolvi que ia juntar boas e tristes lembranças, fiz primeiro como se fosse uma homenagem – e depois fui percebendo que o exercício servia também como terapia. Só que não… Com a proximidade do seu fim, logo vi que não teria uma maneira menos dolorida de aceitar que iria perdê-lo. Era muito difícil conviver com tudo aquilo. Como disse antes, a deterioração da saúde do Gatuno foi muito rápida.

De uma hora pra outra ele já não subia mais na cama – nem com a ajuda dos banquinhos que coloquei em volta dela toda. Seu apetite simplesmente sumiu. Vê-lo atravessar a sala da minha casa com suas patas traseiras tremendo – a mesma sala que ele cruzava correndo não muito tempo atrás – virou uma rotina triste. Ele mal queria se mover. E não saía do meu colo. Todo meu tempo livre então era dedicado ao Gatuno – sentia que ele queria essa companhia, nem que seu olhar, como você pode ver na foto, parecia mirar em nada. No infinito que o espera talvez.

Senti que a hora estava mesmo próxima algumas noites atrás, enquanto assistia à TV com ele esparramado nas minhas pernas. A pose já era conhecida: durante anos ele chegava e se alojava lá – como uma esfinge. Mas seu pescoço não tinha mais nem energia para segurar a pose: ele se ajeitou como pôde, encaixou-se nas curvas que encontrava e só de vez em quando abria a boca como se quisesse miar, mas nenhum som era ouvido… Eu já estava horas grudado numa daquelas séries quando senti um calor incomum escorrendo bem perto dos meus joelhos.

Custei a perceber que o Gatuno era o responsável por aquilo. Já tinha reparado que aqui e ali na minha casa ele vinha deixando um rastro molhado – um sinal de que ele já não conseguia nem esperar chegar ao lugar que estava acostumado pra fazer suas necessidades. Meu bichinho não controlava mais nada no seu corpo tão magrinho e a próxima etapa nesse enfraquecimento eu estava vivendo ali mesmo: ele tinha feito xixi nas minhas pernas. Normalmente eu teria ficado bravo, mas a última coisa que eu pensava ali era em brigar com ele.

O que ele mais precisava naquela hora era de carinho. Fomos dormir – e acho que nunca me senti tão próximo dele como naquela noite. No dia seguinte eu tinha que trabalhar – uma gravação em outra cidade. Já acordei triste. Ou melhor, acordamos tristes. Seus olhos, sempre tão imensos, pareciam ainda mais vazios. Ele claramente dependia de mim para qualquer movimento. Até para comer: era como se pedisse não só que eu desse a comida em sua boca, mas que o ajudasse a mastigar. Um gesto impossível, eu sabia. Mas naqueles últimos minutos eu realmente estava tentando de tudo para fazer ele entender que eu estava indo embora, provavelmente dando o último beijo na sua cabeça, mas que eu o amava muito.

Como um último presente, fui buscar a escova que ele tanto gostava que eu passasse com força nas suas costas e no seu pescoço – no bigode, era ele que determinava a força e a direção que queria se coçar. Naquela manhã eu nem ousava esfregá-lo com força: usei a escova com a gentileza de quem acaricia a pele de um bebê. E ele era mesmo o meu bebê naquele adeus. Achei que ele deu um sorrisinho durante aquelas escovadas – naquela ilusão tola que todo dono de bicho acha que eles estão sorrindo pra gente… Mas eu tinha que me convencer de que ele estava indo embora se sentindo especial – como foi durante todos esses anos (17!) de convivência.

O relógio estava me torturando para ir embora, mas eu tinha que tentar de novo dar um pouco de comida pra ele. Não houve jeito. Era como se ele quisesse que as coisas tomassem seu curso, sem interferência. Ajoelhado ao seu lado, com o peito dos meus pés no ladrilho frio, tentando achar algum conforto ao ficar mais próximo dele, minha testa quase encostada na do meu Gatuno, chorei baixinho.

Era a princípio uma súplica para que ele colocasse pelo menos um pouco de alimento no seu organismo. Mas no fundo era um choro de adeus. E de agradecimento. Uma celebração da companhia que ele me fez – tantos momentos que lembrei com você aqui neste diário, revistos ali como uma novela que você quer gravar para sempre na memória.

Chorei mais um pouco enquanto ele seguia olhando o chão fixamente. Mais um beijo no seu cocuruto. Fui. E ele foi logo depois. Fui poupado dos momentos finais. Tinha a cabeça ocupada com o trabalho, mas mesmo distante administrava os cuidados que a veterinária e outras pessoas que sempre cuidavam dele tinham para que ele fosse com o mínimo de sofrimento.

E assim, consegui guardar na lembrança não a tragédia de um último suspiro, mas a reticência de nossos olhares se desconectando um do outro. Deixei-o ali na “nossa” cama, onde ele sempre se sentiu o mais querido. E tenho certeza de que foi essa sensação a última a passar pelo seu coração. Certamente é também uma boa tradução do sentimento que trago no meu coração: um bichinho muito querido, um amigo inesquecível, um ser meio maluco que preencheu uma boa parte da minha vida e a iluminou com tanta alegria – enfim, aquele que sempre será o meu Gatuno.

Vimos em vix

Falando sobre isso

Leave a Reply